Autismo em adulto: você pode estar no espectro e não sabe

Quando se fala na questão do autismo em adulto, muitas pessoas tendem a ignorar ou até mesmo negligenciar o assunto por pensar que não tem nada a ver com ela. O tema é um tabu em diversas realidades, podendo até ser tido como forma de ofensa alguém suspeitar que determinada pessoa é autista. 

Porém, cada vez mais o autismo é objeto de estudo e divulgação. O chamado Transtorno do Espectro Autista (TEA) — também conhecido como autismo — é uma condição do neurodesenvolvimento de indivíduos, cujas principais características são a dificuldade em socialização e comunicação, rigidez cognitiva, seletividade alimentar, reações incomuns a estímulos sensoriais, dentre tantos outros.

Vamos entender na sequência do texto, o que é o diagnóstico tardio, quais são os sinais de autismo na fase adulta, como reconhecer outras condições de saúde que aparecem junto com o autismo nessa etapa da vida, além de saber o que fazer caso haja alguma suspeita de estar no espectro.

Boa leitura!

Autismo em adulto e o diagnóstico tardio

Com o assunto em evidência nos últimos anos, o autismo costuma ser comumente relacionado às crianças, principalmente aquelas que apresentam em conjunto outras comorbidades aparentes, como deficiência intelectual, manifestações de estereotipias, atraso ou dificuldade na fala, entre outras. Porém, como o próprio nome diz, o autismo é um espectro, no qual as pessoas podem ter níveis diferentes de necessidade de suporte. Isso quer dizer, que não precisa “parecer autista” para ser diagnosticado como tal.

Com o avanço de estudos na área, é possível identificar características do TEA nos primeiros anos dos indivíduos. Porém, por diversos fatores, os sintomas de autismo só são identificados quando as pessoas já estão na fase adulta.

Estima-se que 1 em cada 36 crianças nos EUA se encontram nesse espectro. E quando falamos de Brasil, esse número pode chegar a mais de 2 milhões de crianças. Deve também ser considerado que esse número pode ser subestimado devido à existência de poucos estudos no país. 

Considerando o diagnóstico de autismo em adulto, percebe-se que estes números podem ser ainda mais subjugados. Estudo baseado em dados de prevalência internacionais pela Universidade Federal de São Paulo UNIFESP estima que haja por volta de 3 milhões de autistas adultos no Brasil.

O diagnóstico de autismo adulto acaba sendo mais desafiador, pois grande parte dos indivíduos aprenderam a mascarar suas características para atender aos padrões sociais. Além disso, dificilmente as pessoas investigam suas condições com profissionais qualificados, devido principalmente ao preconceito que existe sobre o assunto, além dos custos financeiros envolvidos numa avaliação detalhada.

É importante destacar que, por se tratar de uma condição de diversidade neurológica que ocupa todas as fases da vida do indivíduo, o autismo não é considerado uma doença, e portanto não existe “cura”. O que se tem são tratamentos terapêuticos para lidar com as condições individuais, visto que nenhum autista é igual a outro. Portanto, não há uma fórmula padrão para esse tratamento.

Quais os principais sinais de TEA em adultos

Sintomas de autismo em adulto podem ser mais difíceis de se identificar, principalmente quando se trata de autismo leve, ou também chamado de nível 1. Isso porque, quando o autismo é de nível 2 ou 3, ele vem acompanhado de outras comorbidades intelectuais, que normalmente são identificadas na infância. 

Outro fator que dificulta a identificação dos sinais de autismo é a habilidade que o indivíduo desenvolve no decorrer da sua vida de esconder, ou “mascarar” as condições que o caracterizam como neurodivergente. O autismo sempre esteve presente na vida da pessoa, mas ela acaba buscando se adaptar aos ambientes sociais para “se encaixar”.

Os sintomas de autismo variam de acordo com cada indivíduo. Mas alguns sinais podem ajudar a reconhecer o autismo em adultos. Listamos alguns mais comuns que, quando identificados, devem levar a pessoa a aprofundar na investigação. Confira:

  • Sensibilidade sensorial a estímulos como som alto, luz, cheiro, textura, paladar, ambientes com muitas pessoas;
  • Dificuldade de perceber linguagem não verbal, como olhar, gestos, intenções;
  • Dificuldade de interação social, principalmente entre desconhecidos;
  • Dificuldade em entender ironia, metáfora, humor sutil, mensagens subliminares emitidas pelas pessoas, passando assim muitas vezes por ingênua e não maliciosa;
  • Rigidez cognitiva, que faz com que as mudanças de rotina e planejamento acabam desequilibrando emocionalmente; 
  • Apresentar interesses mais intensos em temas específicos, também chamado de hiperfoco, podendo ter um desempenho acima da média em determinadas atividades;
  • Ansiedade exacerbada em situações às quais as pessoas neurotípicas reagiriam de forma mais neutra.

Listamos aqui alguns ítens apenas para exemplificar, já que cada pessoa do espectro age e reage a determinadas situações de modo bastante particular. 

Existe um “surto de autismo”?

Diferente do que o senso comum possa imaginar, não há evidências de um “surto de autismo” no sentido de um aumento repentino de casos. O que se observa é um aumento significativo no número de diagnósticos, que se deve a vários fatores.

Com critérios de diagnóstico mais amplos, fazendo com que as pessoas posicionadas no nível 1 do espectro fossem incluídas como autistas, além de uma maior conscientização, informação e reconhecimento, deu maior visibilidade à neurodivergência, o que levou pessoas a buscarem avaliação e diagnóstico. 

Com mais pessoas buscando, aumentou também a qualificação dos profissionais da área de saúde, como psicólogos, psiquiatras e neurologistas, o que permitiu a identificação precoce das crianças. E com essa difusão, além do fato de que uma das características do autismo é comumente ser genética, muitos adultos estão buscando o diagnóstico por identificar características semelhantes em seus filhos.

Dessa forma, entende-se que o autismo sempre existiu, que não é um fenômeno novo. O que diferencia é que a ciência e a sociedade avançaram no reconhecimento e acolhimento das pessoas autistas. E nisso os autistas adultos também encontraram um ambiente propício para, a partir do diagnóstico, ressignificar sua vida e buscar um autoconhecimento para superar suas limitações.

TEA dificilmente aparece sozinho

De modo geral, o autismo pode vir junto com outras condições de saúde física e mental, chamadas de comorbidades. E em muitos casos, essas comorbidades acabam aparecendo primeiro, e até mesmo escondendo a condição de autismo em adultos. Dentre elas, podemos citar:

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Dentre as características mais presentes no TDAH estão a impulsividade, dificuldade de concentração, dificuldade de memorização e a hiperatividade.

Transtornos do sono

A dificuldade em se ter uma noite tranquila de sono, com o hábito de acordar diversas vezes durante a noite, dificuldade de adormecer por um cérebro que não desliga, insônia, são características comuns em indivíduos autistas.

Transtornos de ansiedade

Ansiedade é algo natural em todo ser humano. Porém ela passa a ser um transtorno quando afeta negativamente o emocional, um estado em que pode conduzir à depressão. É algo muito comum em pessoas com autismo, sendo o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de pânico e transtorno de ansiedade social os mais comuns..

Transtornos do desenvolvimento

O transtorno mais comum é o transtorno desintegrativo da infância, que a pessoa carrega por toda a vida, causando prejuízos significativos no adulto autista.

Transtornos alimentares

Alergias, seletividade alimentar em função de sabor, textura, cheiro, ou até mesmo a intolerância a alguns nutrientes são comuns em pessoas autistas.

Além disso, é comum o autismo estar entrelaçado com as Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), o que é conhecido como dupla excepcionalidade. E, diferente do que o senso comum possa identificar de uma pessoa superdotada, essa condição traz desafios ainda maiores para o indivíduo, principalmente nas questões sociais, emocionais e intelectuais.

O que fazer com o diagnóstico em mãos

Antes de mais nada, é importante frisar que nem todas as pessoas que apresentam um ou outro traço de autismo estão no espectro. Primeiramente, caso haja alguma suspeita, é interessante realizar um teste online. Existem vários bons sites que realizam esse teste gratuitamente, baseados em evidências científicas

Caso o teste apresente indícios, é importante procurar um profissional (ou uma equipe de profissionais) capacitado e habilitado para fazer uma avaliação. O “autodiagnóstico” não é recomendado, podendo trazer diversos prejuízos.

Num primeiro momento, o diagnóstico de autismo em adultos pode causar um choque, e surgir pensamentos de angústias e incertezas com relação ao seu futuro. Num outro momento, o indivíduo começa a identificar inúmeros fatores e situação em sua história que sempre foram incompreendidos, mas que eram causados pelo autismo. E assim, a tendência nessa busca do autoconhecimento é a autoaceitação, e a partir disso aprender a conviver com sua condição atípica.

Trilhar esse caminho sozinho é bastante difícil. Algumas estratégias são bastante úteis para lidar com esse diagnóstico.

Primeiramente procurar conhecer melhor sobre o assunto. Leituras, vídeos, palestras, conteúdos, testemunhos de outras pessoas, tudo isso ajuda a se localizar melhor nessa “nova vida”.

Partindo disso, o apoio profissional é fundamental. Compreender o diagnóstico e entender como ele influencia na sua vida é essencial para traçar estratégias para lidar com a condição.

A conexão com pessoas, grupos de apoio, comunidades de pessoas com autismo, também é importante, pois ajuda na questão “não estou sozinho”. Além disso, o autocuidado é fundamental, pois somente ele pode tornar a rotina mais leve, e a vida menos desafiante.

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